14208282Qual é a forma de uma história de amor? Uma experiência que um design, tecnologia de informação, impressão tridimensional e uma aposta poética materializa lembranças em objetos, num projeto inédito do designer Guto Requena junto com o estúdio D3. Os resultados do seu Love Project serão expostos nos dias 16 e 17 de agosto na Baró Galeria.
Tudo começa com um depoimento. Requena pede que as pessoas narrem suas histórias de amor. Ao narrador são fornecidos sensores para serem colocados no corpo: medidores de ondas cerebrais, batimentos cardíacos e da modulação de voz.
O narrador deve então contar uma história de amor vivida. As variações de sinais do corpo durante a narrativa -sobressaltos, mudanças de ritmo da fala, da altura da voz- são captadas pelos sensores e gravadas.
Com a ajuda de softwares, as variações são aplicadas no processo de impressão tridimensional de um objeto, interferindo na sua forma final.
No caso do Love Project, os objetos resultantes são vasos, fruteiras e luminárias de resina e plástico. Um diferente do outro. Cada um conta uma história única.
O projeto está dividido em três etapas. A primeira delas foi construir o sistema de captação de sinais e a programação para converter as experiências de três narradores convidados na construção dos objetos.
Essa parte será mostrada em SP, na Baró Galeria, quando serão expostos objetos e um documentário mostrando todo o processo. As peças serão comercializadas, mas o designer ainda não tem os preços.
Os visitantes também poderão contar suas histórias e recebê-las materializadas em pequenos objetos, para serem usados como pingentes.
Um debate com Requena, colunista da Folha, a curadora da mostra Taissa Buscu, a crítica de design Adélia Borge e o parceiro de projeto Edson Pavoni, do estúdio D3, será realizado no dia 16, às 15h.
A exposição segue para dois encontros internacionais: Semana de Design de Beijing, em setembro, e a Design Miami, em dezembro.
A segunda etapa será desenvolver um aplicativo para celular com captação de voz e batimento cardíaco.
O usuário pode visualizar o objeto final e enviar os resultados para impressão remota no local que desejar.
Requena segue na busca de materializar o imaterial. Uma de suas incursões anteriores foi a intervenção que fez na cadeira girafa, de Lina Bo Bardi, em 2012. O designer escaneou a cadeira, gravou sons de São Paulo e mixou o som à imagem da peça. O objeto resultante, impresso em plástico, traz as alterações causadas pelo som na forma.

 

Fonte site Folha uol