impressora3d (1)Pessoas que estão em tratamento para se recuperar de câncer na boca, na cabeça ou no pescoço já estão se beneficiando de uma técnica desenvolvida no Brasil.

Marcel foi o primeiro de 37 pacientes submetidos à nova técnica no Instituto do Câncer no Rio de Janeiro. Ele tinha um tumor na mandíbula, considerado extremamente grave. O economista foi operado pelos médicos Terence Farias e Mario Galvão em janeiro de 2009.

A partir de imagens em três dimensões do tumor, eles usaram uma impressora, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, em Campinas, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, para criar protótipos em gesso e silicone, mostrando veias cerebrais e outros detalhes.

Foram feitos modelos da cabeça e da bacia de Marcel para estudar a retirada de parte do osso ilíaco, que foi usado na reconstrução da mandíbula.

Com o protótipo nas mãos, os médicos sabem com precisão milimétrica o tamanho do tumor que deve ser retirado. E um dia antes da cirurgia podem fazer uma simulação para avaliar todos os riscos e saber exatamente onde devem ser feitos os cortes nos ossos do paciente.

No ensaio, os médicos aproveitam para dobrar a placa de titânio e escolher os parafusos usados no enxerto. Segundo os médicos, o tempo da cirurgia, que pode chegar a dez horas, foi reduzido em quase uma hora e meia. E o custo também caiu.  Além disso, é possível treinar o corte da bacia.

“Nós retiramos o osso do tamanho correto, nem maior, nem menor,  e isso vai mutilar muito menos o paciente”, explica o médico.

Até a descoberta da nova técnica, muitos pacientes saíam das cirurgias com deformações graves no rosto.

“Acometido por um câncer, ele podia ser mutilado e nós conseguimos não só tentar salvá-lo dessa doença, como tentar devolvê-lo para a sociedade de uma forma bem adequada”, aponta Terence Farias

A pesquisa ganhou destaque em revistas científicas internacionais, e no segundo semestre do ano que vem deve estar disponível para pacientes do Sistema Único de Saúde.

“Hoje em dia eu levo uma vida normal. Pratico até esportes. Eu gosto muito. Como, mastigo bastante. Tenho uma vida social normal como qualquer outra pessoa”, diz o paciente Marcel Carneiro, economista.