celularzaoDesde que o mundo é mundo, sempre fomos dependentes de fontes de energia. Seja aquele escravo lerdo movendo uma imensa mó até seu carro, fontes de energia nunca foram 100% eficientes, graças às idiossincrasias da Termodinâmica. Se eu sair com meu smartphone de manhã cedo com tudo ligado (3G/4G, wif-fi, bluetooth etc), fatalmente a bateria não conseguirá chegar até a noite sem precisar de carga. Não é o caso daquele seu dumbphone de 1,99 comprado nas Casas Bahia, pois o consumo de energia é muito menor. A saída seria desligar tudo, e você terá um belo peso de papel de cerca de 2 mil reais. Aliado a isso, não adianta você sair com um aparelho menor que seu relógio e sua bateria ser do tamanho de uma bateria de carro. As pesquisas agora visam diminuir o tamanho, aumentando a eficiência. Será possível?

Sim, é. E os cientistas de Harvard parecem ter a resposta para isso, onde eles simplesmente imprimiram uma bateria com um tamanho menor que a espessura de um fio de cabelo.

drª Jennifer A. Lewis é professora de Engenharia Biologicamente Inspirada na Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade de Harvard, já que, como eu digo, a Natureza levou 3 e meio bilhões de anos de tentativas e erros – e nós não temos esse tempo todo à nossa disposição – então, é mais fácil copiar o que a Natureza fez de melhor e melhorar as besteiras que ela andou aprontando por aí (a Natureza, e não a drª Lewis).

Lewis e seus colaboradores estão pesquisando a criação de microbaterias, ou seja, baterias tão pequenas que um fio de cabelo é maior que elas. Como construir algo assim é muito, muito complicado, os pesquisadores usaram uma impressora 3D com um bico de impressão de cerca de 1 mm para “imprimir” os eletrodos. Abaixo, vemos a gracinha:

 nanobateria

Obviamente, esta bateria não será suficiente para dar partida no seu carro. Seu foco é em aparelhos que precisem ter tamanho reduzido, desde nanorrobôs até celulares, passando por aparelhagem médica móvel, Google Glass, drones (não só os de uso militar, mas aqueles que andam vigiando os estádios durante a Copa das Confederações também) etc. Ela ainda não será para ser lançada e alguns até podem duvidar se algum dia estará. Eu particularmente acho que sim, mas talvez não como essa aí propriamente dita, o importante é a tecnologia empregada na sua manufatura. A pesquisa foi publicada no periódico Advanced Materials. Ah, sim! Temos videozinho:

Quanto ao desempenho, os pesquisadores afirmam que essas microbaterias são comparáveis ??às nossas baterias de íons de lítio de nossos dispositivos, mas em termos de escala, claro. As taxas de descarga e recarga são proporcionalmente similar, bem como a densidade de energia das baterias e ciclo de vida. Em outras palavras, a microbateria não é capaz de fornecer o mesmo trabalho da bateria do seu celular, mas se elas fossem ampliadas, seriam a mesma coisa. Então que diferença faz? A diferença está na tecnologia de construção.

A evolução das baterias não acompanha a evolução dos produtos aos quais elas têm que prover energia. Mas, se formos ver bem, a imagem  de abertura deste artigo é um telefone celular Motorola 2900 (pertencente a uma linha chamada “bag phone“) e se compararmos com um nokiazinho pobre porém honesto, vimos que muita coisa evoluiu. Afinal, algum dia as baterias foram assim:

bateria-imensa

É, acho que estamos no caminho certo.