“Os últimos dez anos foram sobre descobrir novas maneiras de criar, inventar e trabalhar em grupo usando a internet. Os próximos dez serão sobre aplicar essas lições ao mundo real.”

“Este livro é sobre os próximos dez anos.”

É com leve prepotência que Chris Anderson, editor da revista “Wired”, define seu mais recente lançamento, “Makers: The New Industrial Revolution” (“Fazedores: A Nova Revolução Industrial”), publicado no início do mês.

A obra se propõe a analisar um novo movimento de “faça você mesmo”, desencadeado pelo início da popularização de impressoras 3D –há exemplos até no Brasil, conforme a Folha noticiou (bit.ly/impressoras3D).

Por meio da transformação de bits em átomos –informação em objetos–, ou por possibilitar essa transformação, as empresas dos “makers” dariam um passo adiante.
Passo que Facebook, Google e outras companhias da era da informação não deram.

Dividido em duas partes, “A Revolução” e “O Futuro”, o livro parte do pressuposto de que os “makers” são mais que sonhadores de fundo de garagem, e o leitor é obrigado a comprar a ideia se quiser seguir o raciocínio.

Para tentar provar o ponto de vista, Anderson usa como principais exemplos duas iniciativas: uma do avô materno dele, Fred, e outra tomada por ele próprio.

No primeiro caso, o inventor criou e patenteou um sistema elétrico para automatizar a rega de jardins. Depois, licenciou a tecnologia, recebendo por direitos autorais.

No segundo caso, o próprio Anderson criou uma empresa de aeromodelos, a DIY Drones. Tanto o design quanto o software são desenvolvidos on-line por voluntários, e tudo é licenciado por Creative Commons. A renda da empresa vem apenas de vendas.

Para o autor, esse modelo de criação traz vantagens, como o acesso gratuito a profissionais movidos por paixões pessoais e que sentem-se parte de uma comunidade.

Com texto rápido, Anderson leva o leitor a crer que a construção de comunidades on-line engajadas é tarefa simples, enquanto empresas investem milhões e batem cabeça para atingir a meta.

CÓPIAS BEM-VINDAS

E se outra companhia decidir copiar os produtos?

“Idealmente, outras empresas mudariam e melhorariam os produtos”, diz Anderson. “Esse é o tipo de inovação que as plataformas de código aberto foram feitas para promover.”

“Mas se querem apenas clonar os produtos e vendê-los por um preço menor, está tudo bem, também. Os consumidores irão decidir.”

Nesse sentido, os principais valores das empresas de “makers” são marca e comunidade. Os desenvolvedores –que são, também, consumidores– criam laços com o produto. Assim, eles preferem pagar mais por algo que ajudaram a criar, em vez de economizar com cópias.

Dentro do pensamento de Anderson, entretanto, inexiste a hipótese de uma comunidade abrir mão do produto que criou em troca de outro.

Como apêndice do livro, um manual para iniciantes em CAD (desenho auxiliado por computador), impressão 3D e escaneamento 3D pretende tornar o leitor mais empolgado um “fazedor digital”.

Aos menos animados a leitura das 272 páginas talvez se torne enfadonha. Alguns argumentos utilizados pelo autor se repetem de modo insistente -e, algumas vezes, irritante- por toda a obra.
Nesse caso, a versão condensada do livro, reportagem de capa da “Wired” de novembro, talvez seja mais adequada (bit.ly/wirednov).

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1175301-impressoras-3d-guiarao-novo-modo-de-producao-industrial.shtml